Faltam candidatos e sobram vagas. E as oportunidades não exigem muita qualificação nem experiência. Pode ser difícil de acreditar, mas é a realidade.
Para servir 500 almoços por dia, o restaurante onde trabalha Adalberto Correia Junior precisa de 24 empregados. Mas em apenas 4 meses já empregou perto de 50 pessoas. A rotatividade é alta, inclusive por demissões voluntárias. “Acabam saindo por uma oportunidade melhor. Os salários não são tão altos”, diz o administrador e consultor de alimentos e bebidas.
A dificuldade no momento é conseguir um gerente para o horário noturno para o salário de R$ 1,2 mil. E este não é um caso isolado.
Em um centro de apoio a desempregados, sobram oportunidades para certas funções como auxiliar de cozinha, garçom, operador de telemarketing, auxiliar de vendas, entre outras.
São 2.287 vagas encalhadas desde o mês passado. E não são empregos que exijam muita qualificação ou experiência. As vagas acabam não sendo preenchidas por exigências dos candidatos.
Muitos não aceitam trabalhar nos fins de semana. “Pra mim fica complicado, eu já tenho um bico extra que faço de fim de semana e estou buscando uma colocação de segunda a sexta só”, diz Moacir dos Santos, desempregado e DJ profissional.
Já outros querem emprego perto de onde moram. “Pra que eu possa conciliar mesmo o trabalho com estudo”, diz o porteiro Ivan Pereira da Silva.
E os salários também não são muito atraentes. O salário médio na Grande São Paulo está estagnado desde 2003, segundo o Dieese. Mas no mesmo período houve uma acentuada queda no desemprego, que resistiu até a crise do ano passado.
“Essa é uma hipótese que o acúmulo de 'gordura' da renda dos últimos anos no bom sentido de mais emprego e menos desemprego possa ter propiciado uma estratégia de sobrevivência para as famílias. E que as pessoas que estão procurando emprego tenham um pouco mais de tempo para procurar uma ocupação melhor”, diz Sérgio Mendonça, supervisor técnico do Dieese.